L Praino, o amor e um projecto concretizado

10/02/2014

Descobri a Mercearia de L Praino por mero acaso. E parece que as coisas boas estão mais perto de nós do que imaginamos.
Este é um espaço acolhedor, onde a luz que entra pelas janelas nos traz paz e tranquilidade. Onde o café é maravilhoso, onde todos os produtos que lá podemos encontrar o são.



Esta é a história da Vera Schmidberger e de Aníbal Fernandes. A Vera é uma pessoa especialmente cativante, alguém que só de olhar se percebe que tem muito para nos contar. E assim foi. Quis saber o que este sítio significava e pedi que me explicasse o nascimento do espaço.


A Vera é arquitecta de formação. De origem alemã, veio da Baviera para Portugal onde tirou o seu curso. E por cá ficou. E por cá encontrou o amor. Casada com Aníbal Fernandes, português oriundo da zona do planalto mirandês, uniram juntos o coração e também dois planaltos. O nome vem daqui; praino significa planalto. 


A principal preocupação e filosofia de ambos foi criar um espaço que mostrasse a importância do natural e do que é nosso. Todos os produtos são de excelente qualidade, da posta mirandesa servida aos almoços e jantares (estes só ainda à quinta e sexta-feira), à marmelada caseira, ao mel... Recentemente tiveram a ideia de também terem batatas "da terra", tudo da zona de Miranda do Douro, que os clientes vão poder encomendar.

O mais importante é a maneira inteligente como tudo fazem. Nos dias de hoje reina a noção de biológico, de produto natural, e por vezes esquecemo-nos que antigamente tudo era "biológico".
As batatas eram apanhadas à mão, com muito calor e muito esforço, mas no final o sabor era verdadeiramente nosso, verdadeiramente genuíno. Mais do que biológico, a mensagem que recebemos no L Praino é que na terra ainda há quem assim trabalhe. Quem, de manhã bem cedo, lavre a terra com um arado e dois burros, quem vá levar as vacas para recolher o leite.

O resultado? Tudo por ali é incrivelmente saboroso, incrivelmente bom aos olhos e ao espírito.









A Vera é arquitecta e talvez por isso a sua sensibilidade para a criação de espaços inteligentes seja de facto mais sensata. Nas paredes interiores utilizaram técnicas como o Tadelakt (um reboco à base de cal marroquina com tratamentos especiais e pigmentos naturais), tudo para criar uma parede com uma superfície semelhante à pedra, lavável, sem juntas e agradável ao tacto. A junção da cal e a terra crua são absorventes naturais de micróbios e maus cheiros, e por isto não usam ar condicionado.








Outro dos objectivos em utilizar produtos da zona do planalto mirandês é o facto de ser uma zona muito desfavorecida em termos económicos. Assim mostram o que ainda se produz no interior do país, estimulando a produção local, e oferecem aos seus clientes produtos verdadeiros.

O mais bonito da história foi terem unido dois planaltos, terem mantido a sua história e o significado de um projecto tão interessante. O planalto mirandês é pobre e o actual planalto da Baviera é muito desenvolvido, sendo que antigamente se assemelhava àquela zona do nosso país.

Para compreender melhor este espírito, talvez seja mesmo melhor visitarem.

Obrigada à Vera por receber tão bem, por fazer sentir em casa e pela disponibilidade em contar-me a história do seu cantinho.


Rua Professor Veiga Ferreira nr. 23-A, 1600-802 Lisboa
Telheiras

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