Uma espécie de manifesto: não te boicotes a ti mesmo

10/11/2016

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Vais ouvir muitos nãos pelo caminho. Mas na maioria das vezes não são os 'nãos' que incomodam mais, é a descrença com que alguns olhos podem olhar para ti. Olhos de quem olha mas de quem não vê todas as tuas capacidades e o quanto tu podes dar ao mundo.

Pior do que olhos que se desacreditam, pior do que a análise dura e externa da sociedade te faz, é a dura análise que tu podes fazer de ti mesmo.

'Não consigo fazer isto, não consigo fazer aquilo'. Acontece que todos dentro de nós, temos algo que nos diz que podemos fazer. Apenas podemos não o trazer ao cimo por receios incutidos pelos que nos rodeiam. Mas pior do que essa reprovação externa é a reprovação interna, o boicote pessoal.

Chega de nos boicotarmos, contra mim falo, mas há algo que me diz que chegou o momento de o fazer. Não ao boicote pessoal.

Se tu sabes que queres fazer, faz. Por exemplo este blog. Durante anos o quis fazer e não o fiz. Há dois anos decidi fazê-lo, tive dias, meses em que lhe dei muita atenção e outros que não lhe dei quase nada. Mas ele está aqui e só isso é uma vitória. Se fosse há algum tempo atrás já me teria sabotado mais uma vez, ou seja já teria apagado o blog (como fiz com tantos outros) por não lhe dar a devida atenção. Mas ele está aqui e eu vou deixá-lo estar, porque representa a minha vontade de continuar, a minha vontade de bater o pé contra o boicote pessoal de "não vale a pena". Vale a pena investir, porque pelo que tenho visto, só não me aconteceu ainda muita coisa que queria ter visto acontecer porque eu não quis, porque eu me boicotei.

Nos últimos tempos tenho, não ignorado, mas sim dado um salto por cima dos medos que me vão assolando. "Não vou escrever isto porque amanhã já não vai fazer sentido"; "Não vou tentar porque de certeza que não vou conseguir!".

Chega, decidi que isso tinha de parar. Hoje, uma pessoa que está sempre a mostrar-me que tenho de parar com o Síndrome do Impostor, mostrou-me este artigo. Li-o e assimilei-o.

Não são os outros que nos puxam para trás, somos nós mesmos que nos condicionamos por padrões da sociedade mesmo que saibamos que não nos encaixamos neles.

A Andrea Goulet, autora deste artigo, descobriu finalmente que não eram os outros que olhavam para ela como menos capaz. Descobriu por um momento que era ela que reprimia as suas capacidades, mas percebeu também o porquê:

"I started reading and researching. I learned how, as a woman, the deck had been stacked against me since birth and I didn’t even know it. When I grew up in the 80s, computers were only marketed to boys as video games. Loads of male developers reminisce fondly about learning to code while writing BASIC programs on their Commodore 64. Girls? They weren’t “allowed” to play with their brother’s toys."

Não se deixem enganar. O problema é o padrão que é um ciclo e nós não o parámos entretanto. Se uma miúda engraçada e que gosta de roupa e da apelidada 'girl stuff' diz que é developer, o mais provável é alguma alma vir dizer que só o é por qualquer razão externa que não as suas próprias capacidades, a sua própria aptidão.

São etiquetas que nascem connosco; meninas brincam com bonecas, meninos com consolas e carros.

Pois fiquem sabendo que: tive bonecas como todas as meninas mas raramente lhes ligava alguma coisa; tive peluches mas ficavam mais bonitos no cesto (mas também tinha os meus de estimação); tive fornos, tachos, frigoríficos, maquinas de lavar roupa de brincar e brinquei muito com eles. Mas também tive uma mega pista de carros com 3 andares que pedi aos 4 anos; Playstation aos 6 que não larguei até aos meus 16 anos sempre a jogar; quando ia ao supermercado pedia carrinhos de colecção e sempre fiz pistas de carros improvisadas com pauzinhos de mikado pelo chão lá casa. Sempre adorei jogar consola, e não é por adorar maquilhagem e roupa e tudo o que isso envolve, que não continuo a gostar de tech stuff, de carros, wtv... Isso tudo junto sou eu. 

No outro dia uma criança disse-me: 'Mas tu não tens cara disso...'. Veêm onde começa o problema? Na educação. Uma criança não devia olhar para um adulto e sentir que não tem cara de ser pessoa que faz x,y, ou z. Uma criança devia achar naturalmente que qualquer pessoa esconde muita coisa, que é muito para além da roupa que veste ou da sua aparência. 

Ninguém me disse o que eu podia ou não podia ser, os meus pais nunca me disseram que eu não podia brincar com x ou y com base em categorias de género, portanto não vai ser mais ninguém que o vai dizer. Não é o género que nos define, é a nossa capacidade de ultrapassar problemas, de querer fazer mais e melhor. Mais do que ter medo é a nossa capacidade de querer ultrapassar o medo que conta. E por mais que os tenha (continuo a tê-los) o que eu mais quero é ultrapassá-los. Mesmo que não ganhe nada directamente com isso, já ganhei muito só em querer dar esse passo.

E eu já o dei.

A semana passada submeti-me a uma prova para algo que sempre vagueou no meu espírito, algo que sempre pensei que podia ser para mim. Mas que também sempre me apavorou. As dúvidas estão lá e eu não sei o que aí vem. Mas quem sabe o que vem? Ninguém, e o que importa é ir e tentar.

Guess what? Fui, tentei e passei. Resisti ao boicote pessoal de deixar para lá, desisti naquele momento ao "fica para a próxima, não vale a pena, eu nem sei se quero". E agora?

Quem é que te puxa para trás? Tu ou eles?


Go for it. Não te boicotes.

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